Olá mamães, venho aqui contar para você como foi meu parto, um parto normal hospitalar humanizado, sem nenhuma intervenção médica, tendo eu como protagonista. Tente trazer para você com o máximo de detalhes, hoje já fazem 4 meses e 21 dias do nascimento da Júllia. Infelizmente não tenho imagens desse dia tão lindo, mas as lembranças ficarão sempre guardadas em minha memória!

Sexta-feira / 21 de Fevereiro de 2014 ( o alarme falso).

     04:00 horas da madrugada. Acordo assustada com “ploft” entre minhas pernas, era um líquido, será xixi? Será o líquido amniótico? Mas como ser xixi, se nem senti a água escorrer, foi de repente, chegou a molhar meu marido que dormia ao meu lado. Depois so susto, tentei voltar a dormir, mas a dúvida de se havia chegado a hora do nascimento da júllia me perseguia.

     Um dia antes daquele dia eu tinha terminado de fazer mudança e arrumar tudo (creio que o esforço com a mudança e limpeza da casa tenha colaborado para o encaixe da júllia e perda de líquido). Ao meio dia estava sentindo fisgadas, como se fosse cólicas, organizei algumas coisas, fui na casa da minha mãe e chamei a vizinha para ir na maternidade comigo, chegando lá fui examinada e estava com 3 cm de dilatação, fui encaminhada para fazer uma ultrassonografia para saber quanto de líquido eu tinha perdido, ultra feita, apenas 0,5 de líquido perdido (o médico falou que era pouco, mas para o tanto que molhou minha cama, achei que tivesse perdido metade do líquido rsrs).

Logo após fui para observação e me aplicaram 2 bolsas de soro para hidratar e ver se as cólicas passavam. Já eram 19:00 horas e as cólicas ainda continuavam, não tão fortes, bem fracas, mas estavam lá, foi quando decidiram me internar e aguardar para ver se o trabalho de parto evoluía. Sem sucesso, cheguei apenas aos 4 cm de dilatação, não passou disso, até as dores sumiram numa certa hora.

     Passei a noite triste naquele local, tinha me precipitado na alegria achando que finalmente ia conhecer a júllia, foi uma queda ver que ainda não seria agora, quando chegou às 04:00 horas da madrugada do dia 22, me bateu um desespero, uma necessidade de dormir (não dormi a noite toda vendo outras gravidas sentindo dor e na expectativa do trabalho de parto evoluir),minha mãe que tinha ido ficar comigo depois que saiu do trabalho dela, dormiu lá também, cheguei para ela e falei que queria ir para casa, eu precisava, aquela rotina hospitalar não estava me fazendo bem, e afinal, eu não estava sentindo mais nada.

Esperamos até ás 05:00 horas da manhã que chegava um outro médico plantonista e pedimos minha alta, o médico me avaliou, e deixou eu ir para casa. Não senti mais nada, tudo normal até que chegou o dia 25/02, que fui dormir com um desconforto, mas achava que fosse normal, nada demais, até porque eu estava na reta final, com 39 semanas e 4 dias de gestação.

Quarta-feira / 26 de Fevereiro de 2014 (O grande dia).

     Parecia um dia normal como um outro qualquer, mas não era. Algo havia mudado em mim, algo estava fora da minha rotina. Fisgadas do tipo que ainda não tinha sentido durante toda a gravidez se apossaram de mim na madrugada desse dia, achei que fosse uma besteirinha qualquer, acordei pela manhã e esses incômodos persistiam, era um sinal de que estava próximo de conhecer minha amada Júllia. Ao meio dia esses incômodos se tornaram em cólicas com leves contrações, eu sabia, estava à caminho do encontro mais esperado da minha vida. Fui para a maternidade com uma tia, cheguei lá, “que maravilha, 5 cm de dilatação e sua filha nasce hoje de noite, mas não temos como interná-la pela lotação da maternidade, vamos te encaminhar para a cidade vizinha.”

     Desespero e alegria tomaram conta de mim, desesperada por ter que ir para longe, alegria por finalmente chegar a hora tão esperada. Resolvi esperar mais um pouco, voltei caminhando para minha casa, que não fica longe da maternidade. Cheguei em casa por volta das 15:30 horas, as contrações bem regulares e suportáveis, de 5 em 5 minutos. Aproveitei para relaxar em um banho morno. Após o banho as dores intensificaram e voltei para maternidade com minha mãe por volta das 17:30 horas. Finalmente consegui minha internação com quase 7 cm de dilatação. Ainda tava conseguindo me movimentar, acessar internet, comer, conversar e sorrir muito. Até que uma certa hora as dores se intensificaram tanto e com intervalos bem curtos que eu não conseguia fazer mais nada, apenas pensar em quanto tempo ainda levaria para ver o rostinho da Ju.

Durante todo o trabalho de parto minha mãe foi fundamental, ela me apoiou, deu forças, me massageou, e ficou lá torcendo para a Júllia vir logo ao mundo. As 21:15 horas com 9 cm é chegada a hora de finalmente ir para a sala de parto para a Júllia nascer, ela tava muito alta, o que fez o trabalho de parto demorar um pouco. Fui andando para a sala de parto (sim eu andei até lá), contrações de dores terríveis, meu corpo paralisava, minha coluna ficava travada durante as contrações. E quando chego na sala de parto, depois de duas forças, veio a terceira, uma força que jamais imaginei ter, uma força intensa, a força de querer ter minha filha nos braços, concentrei as minhas ultimas forças e pensando “vem meu amor”, a Júllia veio ao mundo as 21:33 horas de um parto normal, sem intervenções, com um chorinho suave, um olhar doce, veio direto para meu colo, nosso encontro foi perfeito.

E sim, eu fui protagonista do meu parto, um parto de amor e humanizado em maternidade pública. Sim mamães, ainda é possível partos humanizados em hospitais públicos, eu amei parir, eu passaria por tudo novamente, é uma emoção sem fim, a dor a gente esquece, a alegria e o amor envolvidos jamais!

A Júllia nasceu com 2,462 kg e 45 cm, tão pequena, mas preenche um espaço enorme na minha vida.

Logo após o nascimento, meu marido chegou para ficar comigo durante a noite toda, para minha mãe poder descansar, afinal ela praticamente pariu comigo. Foi um encontro lindo, inesquecível! No outro dia eu já andava normalmente e cuidava da minha pequena. Sem dúvidas foi a experiência mais linda e intensa da minha vida!

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